O homem não deve poder ver a sua própria cara. Isso é o que há de mais terrível. A Natureza deu-lhe o dom de não a poder ver, assim como de não poder fitar os seus próprios olhos.
Só na água dos rios e dos lagos ele podia fitar seu rosto. E a postura, mesmo, que tinha de tomar, era simbólica. Tinha de se curvar, de se baixar para cometer a ignomínia de se ver.
O criador do espelho envenenou a alma humana.
Fernando Pessoa
Friday, June 17, 2005
Vão orgulho

Neste mundo vaidoso o amor é nada,
É um orgulho a mais outra vaidade
A coroa de louros desfolhada
Com que se espera a eternidade.
Ser Beatiz, Natércia. Irrealidade!
Mentira...Engano de alma desvairada...
Onde está desses braços a verdade,
Essa fogueira em cinzas apagada?...
Mentira! Não te quis..não me quiseste...
Efluvios subtis de um bem celeste?
Gestos, palavras sem nenhum condão...
Mentira, não fui tua não...Somente
Quis ser mais do que sou, mais do que gente,
No alto do orgulho de o ter sido em vão
In Reliquiea
Florbela Espanca
Nostalgia
Nesse País de lenda, que me encanta,
Ficaram meus brocados, que despi,
E as jóias que plas aias reparti
Como outras rosas de Rainha Santa!
Tanta opala que eu tinha! Tanta, tanta!
Foi por lá que as semeei e que as perdi...
Mostrem-se esse País onde eu nasci!
Mostrem-me o Reino de que eu sou Infanta!
Ó meu País de sonho e de ansiedade,
Nao sei se esta quimera que me assombra,
É feita de mentira ou de verdade!
Quero voltar! Não sei por onde vim...
Ah! Não ser mais que a sombra duma sombra
Por entre tanta sombra igual a mim!
Florbela Espanca

" EU QUERIA POISAR COMO UMA ROSA
SOBRE O MAR O MEU AMOR NESTE SILÊNCIO
SOPHIA de Mello Breyner
Saturday, June 11, 2005
Ô femmes éternelles
Ô femmes éternelles ! Si belles et dangereuses...
Qui tenez dans vos mains le destin des humains...
Scorpion ou bien lionne vous montrez le chemin
Pour ceux qui s'en éloignent gare à la dévoreuse
Mais qui entendrait donc cette voix venue du ciel
Qui appelle tous les hommes à être plus tolérants
C'était me direz-vous : il y a plus de trois mille ans
Vaut mieux croire maintenant au monde matériel
RENÉE VIVIEN
Qui tenez dans vos mains le destin des humains...
Scorpion ou bien lionne vous montrez le chemin
Pour ceux qui s'en éloignent gare à la dévoreuse
Mais qui entendrait donc cette voix venue du ciel
Qui appelle tous les hommes à être plus tolérants
C'était me direz-vous : il y a plus de trois mille ans
Vaut mieux croire maintenant au monde matériel
RENÉE VIVIEN
Para além das Brumas
O seu formoso
Corpo cruel de Deusa omnipotente,
Voluptuoso,
De pé, naquela altiva soledade,
Como enlevado, extático, sorrindo,
Domina a planetária imensidade
E o céu infindo...
Teixeira de Pascoais
LUGAR SAGRADO
Ah! Houvesse neste mundo um lugar Sagrado
de peregrinaçao e culto onde eu pudesse pedir e encontrar ajuda ...
Evocar a Grande Deusa da Antiguidade ...
Ela a Grande Mãe escondida nas cavernas ...
Anat, Cibelle e Astar, queria tanto ser sua Vestal.
Ah! Mãe, diz uma palavra fecunda
e eu serei tua serva para sempre ;
Guia-me no teu caminho e faz acordar em mim a Mulher Ancestral.
Dá-me olhos para te ver à clara Luz do dia sem mais temer
a injustiça dos homens que Te sacrificaram ao Silêncio e ao esquecimento
Dá-me a Tua Força , volta outra vez ...
in "MULHER INCESTO - SONATA E PRELÚDIO"
Corpo cruel de Deusa omnipotente,
Voluptuoso,
De pé, naquela altiva soledade,
Como enlevado, extático, sorrindo,
Domina a planetária imensidade
E o céu infindo...
Teixeira de Pascoais
LUGAR SAGRADO
Ah! Houvesse neste mundo um lugar Sagrado
de peregrinaçao e culto onde eu pudesse pedir e encontrar ajuda ...
Evocar a Grande Deusa da Antiguidade ...
Ela a Grande Mãe escondida nas cavernas ...
Anat, Cibelle e Astar, queria tanto ser sua Vestal.
Ah! Mãe, diz uma palavra fecunda
e eu serei tua serva para sempre ;
Guia-me no teu caminho e faz acordar em mim a Mulher Ancestral.
Dá-me olhos para te ver à clara Luz do dia sem mais temer
a injustiça dos homens que Te sacrificaram ao Silêncio e ao esquecimento
Dá-me a Tua Força , volta outra vez ...
in "MULHER INCESTO - SONATA E PRELÚDIO"
Thursday, June 09, 2005
SAUDADE DO TEU CORPO
Tenho saudades do teu corpo: ouviste
correr-te toda a carne e toda a alma
o meu desejo – como um anjo triste
que enlaça nuvens pela noite calma?...
Anda a saudade do teu corpo (sentes?...)
Sempre comigo: deita-se ao meu lado,
dizendo e redizendo que não mentes
quando me escreves: « vem, meu todo amado...»
É o teu corpo em sombra esta saudade...
Beijo-lhe as mãos, os pés, os seios-sombra:
a luz do seu olhar é escuridade...
Fecho os olhos ao sol para estar contigo.
Eh de noite este corpo que me assombra...
Vês?! A saudade é um escultor antigo!
ANTÓNIO PATRÍCIO (1878-1930)
correr-te toda a carne e toda a alma
o meu desejo – como um anjo triste
que enlaça nuvens pela noite calma?...
Anda a saudade do teu corpo (sentes?...)
Sempre comigo: deita-se ao meu lado,
dizendo e redizendo que não mentes
quando me escreves: « vem, meu todo amado...»
É o teu corpo em sombra esta saudade...
Beijo-lhe as mãos, os pés, os seios-sombra:
a luz do seu olhar é escuridade...
Fecho os olhos ao sol para estar contigo.
Eh de noite este corpo que me assombra...
Vês?! A saudade é um escultor antigo!
ANTÓNIO PATRÍCIO (1878-1930)
Mas Eu
Mas eu, em cuja alma se refletem
As forças todas do universo,
Em cuja reflexão emotiva e sacudida
Minuto a minuto, emoção a emoção,
Coisas antagônicas e absurdas se sucedem —
Eu o foco inútil de todas as realidades,
Eu o fantasma nascido de todas as sensações,
Eu o abstrato, eu o projetado no écran,
Eu a mulher legítima e triste do Conjunto
Eu sofro ser eu através disto tudo como ter sede sem ser de água.
Álvaro de Campos

"Sim a ignorância é como uma vasilha fechada e sem ar; a Alma uma ave dentro dela. Não canta, nem pode mexer uma pena; mas jaz num torpor e morre de não poder respirar."
"A VOZ DO SILÊNCIO"
H.P.Blavatsky
As forças todas do universo,
Em cuja reflexão emotiva e sacudida
Minuto a minuto, emoção a emoção,
Coisas antagônicas e absurdas se sucedem —
Eu o foco inútil de todas as realidades,
Eu o fantasma nascido de todas as sensações,
Eu o abstrato, eu o projetado no écran,
Eu a mulher legítima e triste do Conjunto
Eu sofro ser eu através disto tudo como ter sede sem ser de água.
Álvaro de Campos

"Sim a ignorância é como uma vasilha fechada e sem ar; a Alma uma ave dentro dela. Não canta, nem pode mexer uma pena; mas jaz num torpor e morre de não poder respirar."
"A VOZ DO SILÊNCIO"
H.P.Blavatsky
In Invitation au Voyage
Mon enfant, ma soeur,
Songe à la douceur
D’aller là-bas vivre ensemble
Aimer à loisir,
Aimer et mourir
Au pays qui te ressemble!
Baudelaire
Songe à la douceur
D’aller là-bas vivre ensemble
Aimer à loisir,
Aimer et mourir
Au pays qui te ressemble!
Baudelaire
Sunday, June 05, 2005
A TUA VOZ É UM SÁBIO POEMA...
CHANSON
Ta voix est un savant poème…
Charme fragile de l’esprit,
Désespoir de l’âme, je t’aime
Comme une douleur qu’on chérie.
Dans ta grâce longue et blême,
Tu reviens du font de jadis…
O ma blanche et lointaine amie,
Je t’adore comme les lys !
On dit qu’un souvenir s’émoussse,
Mais comment oublier jamais
Que ta voix se faisait très douce
Pour me dire que tu m’aimais?
Etudes et Preludes
Renée Vivien
LEMBRAR...
Era dentro de mim que devias estar
para que nada te atingisse
e todas as coisas pudessem ser relembradas...
Anónimo
Ta voix est un savant poème…
Charme fragile de l’esprit,
Désespoir de l’âme, je t’aime
Comme une douleur qu’on chérie.
Dans ta grâce longue et blême,
Tu reviens du font de jadis…
O ma blanche et lointaine amie,
Je t’adore comme les lys !
On dit qu’un souvenir s’émoussse,
Mais comment oublier jamais
Que ta voix se faisait très douce
Pour me dire que tu m’aimais?
Etudes et Preludes
Renée Vivien
LEMBRAR...
Era dentro de mim que devias estar
para que nada te atingisse
e todas as coisas pudessem ser relembradas...
Anónimo
LONGE E PERTO
Estou tão longe da realidade como do poema
A distância é infinita Tu não estás aqui
E não sou eu e sou eu ainda Tudo é de menos
e de mais
(....)
Escrever seria amar-te? Seria
Interromper este deserto limpar a ferida aberta?
Seria entrar no interior do centro fresco
percorrer essa praia que ninguém ainda pisou
beijar os teus sinais e a sede límpida
que desenha toda a chama alta do teu corpo?
Estou já tão perto de ti que uma sombra soluça
Estou tão perto de ti que o poema principia
Toco as sílabas da pedra as sílabas do corpo
A minha língua arde sobre o teu corpo frágil
O perdão do teu olhar é o amor da luz
ANTÓNIO RAMOS ROSA
Boca Incompleta, 1977
A distância é infinita Tu não estás aqui
E não sou eu e sou eu ainda Tudo é de menos
e de mais
(....)
Escrever seria amar-te? Seria
Interromper este deserto limpar a ferida aberta?
Seria entrar no interior do centro fresco
percorrer essa praia que ninguém ainda pisou
beijar os teus sinais e a sede límpida
que desenha toda a chama alta do teu corpo?
Estou já tão perto de ti que uma sombra soluça
Estou tão perto de ti que o poema principia
Toco as sílabas da pedra as sílabas do corpo
A minha língua arde sobre o teu corpo frágil
O perdão do teu olhar é o amor da luz
ANTÓNIO RAMOS ROSA
Boca Incompleta, 1977
Friday, June 03, 2005
SAUDADE IMENSA
Sinto de ti uma saudade imensa, maior que a
distância e o tempo, pois tempo ela não ousa,
espaço ela não vive. Sinto de ti uma saudade imensa.
De palavras no meio da noite, de conchas que ouviam
como ao mar, as vagas de meu pranto recolhidas,
do afago incessante nos meus sonhos,
um vento cálido que velava a alma,
acalentando o cansaço de meus dias.
Sinto de ti uma saudade imensa, longa como meus olhos
que se perdem, pois olhos ela não conhece,
e perda sempre foi. Sinto de ti uma saudade imensa...
De teus desejos e rimas, de palavras que sorriam
como o sol na madrugada em mim.
E a lua-rede aos nossos corpos
mais que escritos em nós mesmos.
Sinto de ti uma saudade imensa... e penso: não existe onde...
o quando é infinito. Neste espaço lento da demora,
pergunto ao sonho de um ainda: quem, neste vazio tão triste,
soprou o sempre e apagou o horizonte?
Lília Chaves

"PARA TE ESCREVER EU ANTES ME PERFUMO TODA"
Clarice lispector
distância e o tempo, pois tempo ela não ousa,
espaço ela não vive. Sinto de ti uma saudade imensa.
De palavras no meio da noite, de conchas que ouviam
como ao mar, as vagas de meu pranto recolhidas,
do afago incessante nos meus sonhos,
um vento cálido que velava a alma,
acalentando o cansaço de meus dias.
Sinto de ti uma saudade imensa, longa como meus olhos
que se perdem, pois olhos ela não conhece,
e perda sempre foi. Sinto de ti uma saudade imensa...
De teus desejos e rimas, de palavras que sorriam
como o sol na madrugada em mim.
E a lua-rede aos nossos corpos
mais que escritos em nós mesmos.
Sinto de ti uma saudade imensa... e penso: não existe onde...
o quando é infinito. Neste espaço lento da demora,
pergunto ao sonho de um ainda: quem, neste vazio tão triste,
soprou o sempre e apagou o horizonte?
Lília Chaves

"PARA TE ESCREVER EU ANTES ME PERFUMO TODA"
Clarice lispector
Wednesday, June 01, 2005
três poemas DE ...
MARIA JANEA TEIXEIRA...
A LUA NOS MEUS BRAÇOS
Tenho a alma repleta
De ternura sem dono.
Dá-me tua presença azul
E vem comigo sem medo
Percorrer a estrada do amor.
Vem embalar a lua
Nos meus braços nus,
Espiar a face das estrelas
Nos lagos noturnos
Formados nos meus olhos.
Tenho o coração transbordando
De ternura vadia.
Dá-me tua mão,
Caminhemos lado a lado,
Para que nossos passos
Risquem trilhas paralelas.
Vem comigo
Colher as rosas vermelhas
Que perfumam as estradas.
Amor, fecha-me os olhos
Em teus doces lábios.
Não me deixes pensar
Que além se oculta
A encruzilhada do nunca mais.
FILHA DA NOITE
Eu era filha da noite
E as trevas moravam em meus olhos.
Mas tu, meu amor, com tua luz,
Rasgaste a cortina que escurecia minha vida
E me mostraste o nascer de um novo dia.
Eu era uma nave sem bússola,
Tinha os braços cansados
De girar o mesmo leme
Nos mares sempre iguais.
Mas tu, ó meu amor,
Desenhaste uma estrada de luz
E eu vi ao longe o porto seguro.
Eu tinha os olhos tão vazios
De outros olhos,
Todas as solidões moravam
Dentro do meu peito.
Mas tu, com tua chama,
Acendeu uma alma
Em meu rosto feito de ausências.
Hoje existo porque me vejo
Dentro da luz dos teus olhos,
E esta que sou, só sou,
Inteira, límpida e nua,
Porque tu a fizeste.
E o caminho que sigo agora
É a trilha dos passos
Que deixaste lá fora.
NEM ME LEMBRO MAIS
Tenho as mãos repletas de ternura
Tão ansiosas pra te amar
Tenho os braços vazios
Tão sedentos pra te abraçar
Você não saberá jamais
O quanto tenho esperado por ti
O quanto tenho sonhado em ti
Por um segundo ou uma vida inteira
Nem me lembro mais
Tenho a alma repleta de ternura
Tão louca pra te encontrar
Tenho a boca assim sedenta
Tão ansiosa pra te beijar
Você não saberá jamais
O valor do bem que eu te tive
Todo um século, todo um momento
Um tempo maior do que uma rosa vive
Nem me lembro mais
A LUA NOS MEUS BRAÇOS
Tenho a alma repleta
De ternura sem dono.
Dá-me tua presença azul
E vem comigo sem medo
Percorrer a estrada do amor.
Vem embalar a lua
Nos meus braços nus,
Espiar a face das estrelas
Nos lagos noturnos
Formados nos meus olhos.
Tenho o coração transbordando
De ternura vadia.
Dá-me tua mão,
Caminhemos lado a lado,
Para que nossos passos
Risquem trilhas paralelas.
Vem comigo
Colher as rosas vermelhas
Que perfumam as estradas.
Amor, fecha-me os olhos
Em teus doces lábios.
Não me deixes pensar
Que além se oculta
A encruzilhada do nunca mais.
FILHA DA NOITE
Eu era filha da noite
E as trevas moravam em meus olhos.
Mas tu, meu amor, com tua luz,
Rasgaste a cortina que escurecia minha vida
E me mostraste o nascer de um novo dia.
Eu era uma nave sem bússola,
Tinha os braços cansados
De girar o mesmo leme
Nos mares sempre iguais.
Mas tu, ó meu amor,
Desenhaste uma estrada de luz
E eu vi ao longe o porto seguro.
Eu tinha os olhos tão vazios
De outros olhos,
Todas as solidões moravam
Dentro do meu peito.
Mas tu, com tua chama,
Acendeu uma alma
Em meu rosto feito de ausências.
Hoje existo porque me vejo
Dentro da luz dos teus olhos,
E esta que sou, só sou,
Inteira, límpida e nua,
Porque tu a fizeste.
E o caminho que sigo agora
É a trilha dos passos
Que deixaste lá fora.
NEM ME LEMBRO MAIS
Tenho as mãos repletas de ternura
Tão ansiosas pra te amar
Tenho os braços vazios
Tão sedentos pra te abraçar
Você não saberá jamais
O quanto tenho esperado por ti
O quanto tenho sonhado em ti
Por um segundo ou uma vida inteira
Nem me lembro mais
Tenho a alma repleta de ternura
Tão louca pra te encontrar
Tenho a boca assim sedenta
Tão ansiosa pra te beijar
Você não saberá jamais
O valor do bem que eu te tive
Todo um século, todo um momento
Um tempo maior do que uma rosa vive
Nem me lembro mais
Sunday, May 29, 2005
O espírito
Nada a fazer amor, eu sou do bando
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas;
E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.
Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera:
Andorinha indene ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.
Natália Correia
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas;
E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.
Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera:
Andorinha indene ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.
Natália Correia
Teu corpo/meu espaço
À MEMÓRIA DA POETISA QUE UM DIA CONHECI EM PARIS...
Teu corpo é raiz
rasgando a terra nua
do meu sexo
Teu corpo é vertical
onde os meus dedos tocam as distâncias
Teu corpo é diálogo sem palavras
O grito em ressonância
no meu espaço
Manuela Amaral
Teu corpo é raiz
rasgando a terra nua
do meu sexo
Teu corpo é vertical
onde os meus dedos tocam as distâncias
Teu corpo é diálogo sem palavras
O grito em ressonância
no meu espaço
Manuela Amaral
Ser mulher
Ser mulher, vir à luz trazendo a alma talhada
para os gozos da vida, a liberdade e o amor,
tentar da glória a etérea e altívola escalada,
na eterna aspiração de um sonho superior...
Ser mulher, desejar outra alma pura e alada
para poder, com ela, o infinito transpor,
sentir a vida triste, insípida, isolada,
buscar um companheiro e encontrar um Senhor...
Ser mulher, calcular todo o infinito curto
para a larga expansão do desejado surto,
no ascenso espiritual aos perfeitos ideais...
Ser mulher, e oh! atroz, tantálica tristeza!
ficar na vida qual uma águia inerte, presa
nos pesados grilhões dos preceitos sociais!
Gilka Machado
para os gozos da vida, a liberdade e o amor,
tentar da glória a etérea e altívola escalada,
na eterna aspiração de um sonho superior...
Ser mulher, desejar outra alma pura e alada
para poder, com ela, o infinito transpor,
sentir a vida triste, insípida, isolada,
buscar um companheiro e encontrar um Senhor...
Ser mulher, calcular todo o infinito curto
para a larga expansão do desejado surto,
no ascenso espiritual aos perfeitos ideais...
Ser mulher, e oh! atroz, tantálica tristeza!
ficar na vida qual uma águia inerte, presa
nos pesados grilhões dos preceitos sociais!
Gilka Machado
Saturday, May 28, 2005
Rejeita o aplauso, ó crente; o aplauso conduz à ilusão de si próprio. O teu corpo não é Personalidade, a tua Personalidade é, em si, sem corpo, e o elogio ou a censura não a atingem.
"O contentamento de si próprio, ó discípulo, é uma torre altíssima, à qual um insensato orgulhoso subiu.
Ali se senta em orgulhosa solidão, invisível a todos, salvo a si próprio.
Excertos de "A VOZ DO SILÊNCIO"
H.P.Blavatsky
(Traduzido por Fernando Pessoa)
"O contentamento de si próprio, ó discípulo, é uma torre altíssima, à qual um insensato orgulhoso subiu.
Ali se senta em orgulhosa solidão, invisível a todos, salvo a si próprio.
Excertos de "A VOZ DO SILÊNCIO"
H.P.Blavatsky
(Traduzido por Fernando Pessoa)
UM DIA QUE NÃO CHEGA
ando a inventar um dia
que não chega
desde o distante dia
em que nasci
tempo do não ruído
azul e violeta como os céus
numa pintura antiga
todos à escuta
de alguma coisa na linha muda do horizonte sem fim
alguma coisa que haveria de nos tocar
como a cor da terra
como sal de água espumosa e viva
na pele de alguém adormecido
um tempo
para entrançar
flores e esperança
nos membros soltos da mulher dançante
para abrigar
a luz e a sombra
na cova uterina dos princípios
um tempo
para juntar mortos e vivos
no mesmo mantra redentor
como
quando os cenários se apagam
no sentir do abraço
e tudo nos parece
desmedidamente
uma coisa só
MARIANA INVERNO
que não chega
desde o distante dia
em que nasci
tempo do não ruído
azul e violeta como os céus
numa pintura antiga
todos à escuta
de alguma coisa na linha muda do horizonte sem fim
alguma coisa que haveria de nos tocar
como a cor da terra
como sal de água espumosa e viva
na pele de alguém adormecido
um tempo
para entrançar
flores e esperança
nos membros soltos da mulher dançante
para abrigar
a luz e a sombra
na cova uterina dos princípios
um tempo
para juntar mortos e vivos
no mesmo mantra redentor
como
quando os cenários se apagam
no sentir do abraço
e tudo nos parece
desmedidamente
uma coisa só
MARIANA INVERNO
Wednesday, May 25, 2005
A nossa vida, o mãe, a nossa perdida vida...
"A direção constantemente abandonada do nosso destino,
A nossa incerteza pagã sem alegria,
A nossa fraqueza cristã sem fé,
O nosso budismo inerte, sem amor pelas coisas nem êxtases,
A nossa febre, a nossa palidez, a nossa impaciência de fracos,
A nossa vida, o mãe, a nossa perdida vida... "
(...)
Fernando Pessoa..
A nossa incerteza pagã sem alegria,
A nossa fraqueza cristã sem fé,
O nosso budismo inerte, sem amor pelas coisas nem êxtases,
A nossa febre, a nossa palidez, a nossa impaciência de fracos,
A nossa vida, o mãe, a nossa perdida vida... "
(...)
Fernando Pessoa..
Pelas malditas horas que vivi
Pelo sagrado amor que vem de ti,
amor que eu amo com amor sagrado;
pelo Ideal descoberto e realizado,
- bendita seja a hora em que te vi!
no desejo de amor tão desejado;
pelas horas benditas ao teu lado,
- bendita seja a hora em que nasci!
Pelo triunfo enorme, pelo encanto
que me trouxeste, é que eu bendigo tanto
a hora suave que te viu nascer...
Amor do meu amor! Amor tão forte,
que se um dia sentir a tua morte,
será bendita a hora em que eu morrer!
VIRGÍNIA VITORINO (1897-1967)
amor que eu amo com amor sagrado;
pelo Ideal descoberto e realizado,
- bendita seja a hora em que te vi!
no desejo de amor tão desejado;
pelas horas benditas ao teu lado,
- bendita seja a hora em que nasci!
Pelo triunfo enorme, pelo encanto
que me trouxeste, é que eu bendigo tanto
a hora suave que te viu nascer...
Amor do meu amor! Amor tão forte,
que se um dia sentir a tua morte,
será bendita a hora em que eu morrer!
VIRGÍNIA VITORINO (1897-1967)
Sunday, May 22, 2005
A DEUSA
Ah, verdadeiramente a deusa! -
A que ninguém viu sem amar
E que já o coração endeusa
Só com sòmente a adivinhar.
Por fim magnânima aparece
Naquela perfeição que é
Uma estátua que a vida aquece
E faz da mesma vida fé.
Ah, verdadeiramente aquela
Com que no túmulo do mundo
O morto sonho, como a estrela
Que há-de surgir no céu profundo.
IN poesias inéditas - FERNANDO PESSOA
NÃO
Não formar nenhuma ideia
do que somos ou seremos
mas entre as vozes que fogem
precisar o que dizemos.
Dormir sonos ante-céus
abismos que são infernos.
Dormir em paz. Dormir paz,
enfim a nota segura.
Lembrar pessoas e dias
que penetram no espaço
de eventos primaveris.
E dar as mãos aos espectros
beijá-los lendas, perfis.
Amar a sombra, a penumbra
correr janelas e véus.
Saber que nada é verdade.
Dizer amor ao deserto
abraçar quem nos ignora
dormir com quem não nos vê
mas precisar do calor
de quem nunca nos encontra.
NATÉRCIA FREIRE
do que somos ou seremos
mas entre as vozes que fogem
precisar o que dizemos.
Dormir sonos ante-céus
abismos que são infernos.
Dormir em paz. Dormir paz,
enfim a nota segura.
Lembrar pessoas e dias
que penetram no espaço
de eventos primaveris.
E dar as mãos aos espectros
beijá-los lendas, perfis.
Amar a sombra, a penumbra
correr janelas e véus.
Saber que nada é verdade.
Dizer amor ao deserto
abraçar quem nos ignora
dormir com quem não nos vê
mas precisar do calor
de quem nunca nos encontra.
NATÉRCIA FREIRE
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