Que é voar?
É só subir no ar,
levantar da terra o corpo,os pés?
Isso é que é voar?
Não.
Voar é libertar-me,
é parar no espaço inconsistente
é ser livre,leve,independente
é ter a alma separada de toda a existência
é não viver senão em não -vivência
E isso é voar?
Não.
Voar é humano
é transitório , momentâneo...
Aquele que voa tem de poisar em algum lugar:
isso é partir
e não voltar.
Ana Hatherly
Tuesday, August 16, 2005
NAS MARGENS ALTAS
DESPONTAM GRÃOS DE OIRO...
Safo – Fragmentos

Rosas
Rosas que já vos fostes, desfolhadas
Por mãos também que Já foram, rosas
Suaves e tristes! Rosas que as amadas,
Mortas também, beijaram suspirosas...
Umas rubras e vãs, outras fanadas,
Mas cheias do calor das amorosas...
Sois aroma de almofadas silenciosas,
Onde dormiram tranças destrançadas.
Umas brancas, da cor das pobres freiras,
Outras cheias de viço de frescura,
Rosas primeiras, rosas derradeiras!
Ai! Quem melhor que vós, se a dor perdura,
Para coroar-me, rosas passageiras,
O sonho que se esvai na desventura?
Afonso Henriques da Costa Guimarães
DESPONTAM GRÃOS DE OIRO...
Safo – Fragmentos

Rosas
Rosas que já vos fostes, desfolhadas
Por mãos também que Já foram, rosas
Suaves e tristes! Rosas que as amadas,
Mortas também, beijaram suspirosas...
Umas rubras e vãs, outras fanadas,
Mas cheias do calor das amorosas...
Sois aroma de almofadas silenciosas,
Onde dormiram tranças destrançadas.
Umas brancas, da cor das pobres freiras,
Outras cheias de viço de frescura,
Rosas primeiras, rosas derradeiras!
Ai! Quem melhor que vós, se a dor perdura,
Para coroar-me, rosas passageiras,
O sonho que se esvai na desventura?
Afonso Henriques da Costa Guimarães
Lo que se ha perdido
" Lo que se ha perdido, lo que se debería haber perdido,
lo que se ha conseguido y ha satisfecho por error,
lo que amamos y perdimos y, después de perderlo, vimos,
amándolo por haberlo tenido, que no lo habíamos amado;
lo que creíamos que pensábamos cuando sentíamos;
lo que era un recuerdo y creíamos que era una emoción;
y el mar en todo, llegando allá, rumoroso y fresco,
del gran fondo de toda la noche, a agitarse fino en la playa,
en el decurso nocturno de mi paseo a la orilla del mar. "
«««««««««««««««««
Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.
Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperença a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!
Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme
Fernando Pessoa
lo que se ha conseguido y ha satisfecho por error,
lo que amamos y perdimos y, después de perderlo, vimos,
amándolo por haberlo tenido, que no lo habíamos amado;
lo que creíamos que pensábamos cuando sentíamos;
lo que era un recuerdo y creíamos que era una emoción;
y el mar en todo, llegando allá, rumoroso y fresco,
del gran fondo de toda la noche, a agitarse fino en la playa,
en el decurso nocturno de mi paseo a la orilla del mar. "
«««««««««««««««««
Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.
Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperença a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!
Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme
Fernando Pessoa
Sunday, August 14, 2005
respirar o Amor
O Amor não é uma virtude. O Amor é uma necessidade ; mais necessidade é do que o pão e a água, mais do que a luz e o ar."
Mikhail Naimy
Meus Deus, eu quero, quero depressa

Meu Deus, eu quero a mulher que passa.
Seu dorso frio é campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!
Oh! como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pêlos leves são relva boa
Fresca e macia
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando eu te juro
Que te perdia se me encontravas
E me encontrava se te perdias?
Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida
Para o que sofro não ser desgraça?
Meus Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!
No santo nome do teu martírio
Do teu martírio que nunca cessa
Meus Deus, eu quero, quero depressa
A minha amada mulher que passa!
Vinicius de Morais
Friday, August 12, 2005
Dorme, amiga, dorme

Dorme, amiga, dorme
Teu sono de rosa
Uma paz imensa
Desceu nesta hora.
Cerra bem as pétalas
Do teu corpo imóvel
E pede ao silêncio
Que não vá embora.
Dorme, amiga, o sono
Teu de menininha
Minha vida é a tua
Tua morte é a minha.
Dorme e me procura
Na ausente paisagem...
Nela a minha imagem
Restará mais pura.
Dorme, minha amada
Teu sono de estrela
Nossa morte, nada
Poderá detê-la.
Mas dorme, que assim
Dormirás um dia
De um sono sem fim...
Na minha poesia.
Vinicius de morais
Tuesday, August 09, 2005
Rosa de Hiroshima
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas,
Pensem nas meninas
Cegas inexatas,
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas,
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas.
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa, da rosa!
Da rosa de Hiroshima,
A rosa hereditária,
A rosa radioativa
Estúpida e inválida,
A rosa com cirrose,
A anti-rosa atômica.
Sem cor, sem perfume,
Sem rosa, sem nada
(Vinícius de Moraes)
Friday, August 05, 2005
Nostalgia
Nesse País de lenda, que me encanta,
Ficaram meus brocados, que despi,
E as jóias que plas aias reparti
Como outras rosas de Rainha Santa!
Tanta opala que eu tinha! Tanta, tanta!
Foi por lá que as semeei e que as perdi...
Mostrem-se esse País onde eu nasci!
Mostrem-me o Reino de que eu sou Infanta!
Ó meu País de sonho e de ansiedade,
Nao sei se esta quimera que me assombra,
É feita de mentira ou de verdade!
Quero voltar! Não sei por onde vim...
Ah! Não ser mais que a sombra duma sombra
Por entre tanta sombra igual a mim!
Florbela Espanca
Ficaram meus brocados, que despi,
E as jóias que plas aias reparti
Como outras rosas de Rainha Santa!
Tanta opala que eu tinha! Tanta, tanta!
Foi por lá que as semeei e que as perdi...
Mostrem-se esse País onde eu nasci!
Mostrem-me o Reino de que eu sou Infanta!
Ó meu País de sonho e de ansiedade,
Nao sei se esta quimera que me assombra,
É feita de mentira ou de verdade!
Quero voltar! Não sei por onde vim...
Ah! Não ser mais que a sombra duma sombra
Por entre tanta sombra igual a mim!
Florbela Espanca
Fica assim amor.
Harmonioso vulto que em mim se dilui.
Tu és o poema
e és a origem donde ele flui.
Intuito de ter. Intuito de amor
não compreendido.
Fica assim amor. Fica assim intuito.
Prometido.
Glorifiquei-te no eterno.
Eterno dentro de mim
fora de mim perecível.
Para que desses um sentido
a uma sede indefinível.
Para que desses um nome
à exactidão do instante
do fruto que cai na terra
sempre perpendicular
à humidade onde fica.
E o que acontece durante
na rapidez da descida
é a explicação da vida.
NATÁLIA CORREIA(1923-1993)
Tuesday, August 02, 2005
Perfume da Rosa

Quem bebe, rosa, o perfume
Que de teu seio respira?
Um anjo, um silfo? Ou que nume
De seu trono te ajoelha,
E esse néctar encantado
Bebe oculto, humilde abelha?
— Ninguém? — Mentiste: essa frente
Em languidez inclinada,
Quem te pôs assim pendente?
Dize, rosa namorada.
E a cor de púrpura viva
Como assim te desmaiou?
E essa palidez lasciva
Nas folhas quem te pintou?
Os espinhos que tão duros
Tinhas na rama lustrosa,
Com que magos esconjuros
Tos desarmaram, ó rosa?
E porquê, na hástia sentida
Tremes tanto ao pôr do Sol?
Porque escutas tão rendida
O canto do rouxinol?
Que eu não ouvi um suspiro
Sussurrar-te na folhagem?
Nas águas desse retiro
Não espreitei a tua imagem?
Não a vi aflita, ansiada...
— Era de prazer ou dor? –
Mentiste, rosa, és amada,
E tu também tu amas, flor.
Mas ai!, se não for um nume
O que em teu seio delira,
Há-de matá-lo o perfume
Que nesse aroma respira.
Almeida Garrett
SALOMÉ
Insónia roxa. A luz a virgular-se em medo,
Luz morta de luar, mais alma do que lua...
Ela dança, ela range. A carne, álcool de nua,
Alastra-se para mim num espasmo de segredo...
Tudo é caprixo ao seu redor, em sombras fátuas...
O aroma endoideceu, upou-se em cor, quebrou...
Tenho frio...Alabastro!...A minha alma parou...
E o seu corpo resvala a projectar estátuas...
Ela chama-se em Íris. Nimba-se a perder-me,
Golfa-me os seios nus, ecoa-me em quebrando...
Timbres, elmos, punhais...A doida quer morrer-me:
Mordora-se a chorar - há sexos no seu pranto...
Ergo-me em som, oscilo, e parto, e vou arder-me
Na boca imperial que humanizou um Santo...
Lisboa, 3 de Novembro de 1913
MÁRIO DE SÁ-CARBNEIRO
Luz morta de luar, mais alma do que lua...
Ela dança, ela range. A carne, álcool de nua,
Alastra-se para mim num espasmo de segredo...
Tudo é caprixo ao seu redor, em sombras fátuas...
O aroma endoideceu, upou-se em cor, quebrou...
Tenho frio...Alabastro!...A minha alma parou...
E o seu corpo resvala a projectar estátuas...
Ela chama-se em Íris. Nimba-se a perder-me,
Golfa-me os seios nus, ecoa-me em quebrando...
Timbres, elmos, punhais...A doida quer morrer-me:
Mordora-se a chorar - há sexos no seu pranto...
Ergo-me em som, oscilo, e parto, e vou arder-me
Na boca imperial que humanizou um Santo...
Lisboa, 3 de Novembro de 1913
MÁRIO DE SÁ-CARBNEIRO
Monday, July 25, 2005
Enquanto tacteias e duvidas e te espantas
Enquanto longe divagas
E através de um mar desconhecido esqueces a palavra
- Enquanto vais à deriva das correntes
E fugitivo perseguido por inomeadas formas
A ti próprio te buscas devagar
- Enquanto percorres os labirintos da viagem
E no país de treva e gelo interrogas o mudo rosto das sombras
- Enquanto tacteias e duvidas e te espantas
E apenas como um fio te guia a tua saudade da vida
Enquanto navegas em oceanos azuis de rochas negras
E as vozes da casa te invocam e te seguem
Enquanto regressas como a ti mesmo ao mar
E sujo de algas emerges entorpecido e como drogado
- Enquanto naufragas e te afundas e te esvais
E na praia que é teu leito como criança dormes
E devagar devagar a teu corpo regressas
Como jovem toiro espantado de se reconhecer
E como jovem toiro sacodes o teu cabelo sobre os olhos
E devagar recuperas tua mão teu gesto
E teu amor das coisas sílaba por sílaba.
SOPHIA DE MELLO BREYNER A.
E através de um mar desconhecido esqueces a palavra
- Enquanto vais à deriva das correntes
E fugitivo perseguido por inomeadas formas
A ti próprio te buscas devagar
- Enquanto percorres os labirintos da viagem
E no país de treva e gelo interrogas o mudo rosto das sombras
- Enquanto tacteias e duvidas e te espantas
E apenas como um fio te guia a tua saudade da vida
Enquanto navegas em oceanos azuis de rochas negras
E as vozes da casa te invocam e te seguem
Enquanto regressas como a ti mesmo ao mar
E sujo de algas emerges entorpecido e como drogado
- Enquanto naufragas e te afundas e te esvais
E na praia que é teu leito como criança dormes
E devagar devagar a teu corpo regressas
Como jovem toiro espantado de se reconhecer
E como jovem toiro sacodes o teu cabelo sobre os olhos
E devagar recuperas tua mão teu gesto
E teu amor das coisas sílaba por sílaba.
SOPHIA DE MELLO BREYNER A.
A Lucidez Perigosa

Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa actual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.
Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade -
essa clareza de realidade
é um risco.
Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve
para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.
CLARICE LISPECTOR
Nós nunca nos realizamos.
Somos dois abismos – um poço fitando o Céu.
Fernando Pessoa,
O Livro do Desassossego
BEBIDO O LUAR
Bebido o luar, ébrios de horizontes,
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.
Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.
Por que jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Por que o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDERSEN
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.
Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.
Por que jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Por que o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDERSEN
Wednesday, July 20, 2005
"Doce será o leito onde estender o meu corpo."

Notícias - gracia plena -
E eu aqui
Calada, a recordar
o amor e a rir de mim
Televisão desligada!
Sigo colando figurinhas
no meu almanaque
Conta-me: Já invadiram o Iraque?
Já botaram a mão no petróleo?
Algum pai matou filho
ou vice-versa ou vide-verso?
Algum bandido virou herói
deste mísero circo
ou tema de escola de samba
para desfile na avenida?
E eu aqui
inerte...assombrada
a lembrar o amor
apaixonado!
Conta-me: Os tais Estados Unidos
leram a história de Roma,
da Pérsia, do Egito?
Então eles nada sabem
sobre o declínio dos Impérios?
Nunca leram sobre Napoleão,
Genghis khan, Satan?
E eu aqui
escondida do mundo,
no meu porão,
vou lendo Pessoa, Gedeão, Bilac
Não! Nada quero saber
da Coréia, do Iraque,
das assembleias da ONU
" O palhaço sem amor
é um assassino sério"-
acreditem-me
E eu aqui
sem abrigo antiaéreo
sem máscaras de oxigénio
Dona de casa, poeta, médica-
aumento o som estéreo:
Ouço Beethoven- A Patética.
Maria da Graça Ferraz
ORAÇÕES DE AMOR
Ó puríssima e bela, - alva cecém,
Minha vida e meu bem;
Ó puríssima e triste, - amor sereno,
Meu bem e meu veneno.
Ó puríssima e doce - brando olhar.
Meu veneno e meu ar.
Ó puríssima e santa, - alma num beijo,
Meu ar e meu desejo:
Ó puríssima deusa, forma o céu
Do meu desejo e o teu!...
ANTÓNIO FOGAÇA :
(Poeta lírico, nasce em 1863 e morre aos 24 anos
com um livro publicado... )
Minha vida e meu bem;
Ó puríssima e triste, - amor sereno,
Meu bem e meu veneno.
Ó puríssima e doce - brando olhar.
Meu veneno e meu ar.
Ó puríssima e santa, - alma num beijo,
Meu ar e meu desejo:
Ó puríssima deusa, forma o céu
Do meu desejo e o teu!...
ANTÓNIO FOGAÇA :
(Poeta lírico, nasce em 1863 e morre aos 24 anos
com um livro publicado... )
UMA ESTRELA...

Há-de uma grande estrela cair no meu colo...
A noite será de vigília,
E rezaremos em línguas
Entalhadas como harpas.
Será noite de reconciliação-
Há tanto Deus a derramar-se em nós.
Crianças são os nossos corações,
anseiam pela paz, doces-cansados.
E os nossos lábios dessejam beijar-se-
Por que hesitais?
Não faz meu coração fronteira com o teu?
O teu sangue não pára de dar cor às minhas faces.
Será noite de reconciliação,
Se nos dermos, a morte não virá.
Há-de uma grande estrela cair no meu colo.
ELSE LASKER-SCHULER (1869-1945)
Baladas Hebraicas
Sunday, July 17, 2005
CÂNTICO DOS CÂNTICOS
Prendeste o meu coração, minha irmã-noiva,
Prendeste o meu coração com um só dos teus olhares,
com uma só perola do colar do teu pescoço!
Como é delicioso o teu amor, minha irmã-noiva!...
Quão mais suave do que o vinho!
E o odor do teu perfume excede o de todos os aromas!
Os teus lábios, noiva minha, são como favo que destila mel;
debaixo da tua língua há leite e mel;
e o perfume dos teus vestidos é como o perfume do Líbano.

CLXIII
És infeliz? Se deixares de pensar
na tua dor não sofrerás mais. Se a tua
mágoa é imensa, invoca os seres que
tão injustamente sofreram durante a
criação do mundo.
Escolhe uma mulher de seios alvos
e trata de a amar. E que ela, por sua vez,
seja incapaz de te amar.
CLXIV
Infeliz, nunca saberás nada! Jamais
serás capaz de resolver um único dos
mistérios que te rodeiam. Uma vez
que as religiôes te prometem o Paraíso,
tenta tu criar um nesta terra,
porque o outro talvez não exista.
in RUBAIYAT
Prendeste o meu coração com um só dos teus olhares,
com uma só perola do colar do teu pescoço!
Como é delicioso o teu amor, minha irmã-noiva!...
Quão mais suave do que o vinho!
E o odor do teu perfume excede o de todos os aromas!
Os teus lábios, noiva minha, são como favo que destila mel;
debaixo da tua língua há leite e mel;
e o perfume dos teus vestidos é como o perfume do Líbano.

CLXIII
És infeliz? Se deixares de pensar
na tua dor não sofrerás mais. Se a tua
mágoa é imensa, invoca os seres que
tão injustamente sofreram durante a
criação do mundo.
Escolhe uma mulher de seios alvos
e trata de a amar. E que ela, por sua vez,
seja incapaz de te amar.
CLXIV
Infeliz, nunca saberás nada! Jamais
serás capaz de resolver um único dos
mistérios que te rodeiam. Uma vez
que as religiôes te prometem o Paraíso,
tenta tu criar um nesta terra,
porque o outro talvez não exista.
in RUBAIYAT
O PROFETA
"Mas eu vos digo que tal como o mais santo não pode elevar-se acima do mais sublime em cada um de vós, tão pouco o pior malvado pode cair mais baixo que o que de mais baixo existe em cada um de vós."
Khalil Gibran
Khalil Gibran
Friday, July 15, 2005
amante branca

Do meio de uma bruma nasce uma flor
que conheceu já outros campos sem sal.
A neve que cobriu a rosa em plena primavera
não assustou gaiatos que corriam
sem o sinal de um pai presente.
Amante Branca! Onde te escondes
maravilhada pela estrela da manhã?
As rosas choram nessa linha de bem e mal.
Desejam estar no meio,
no coração das coisas,
a sorrir para os doidos
casados de fresco com o grito.
São rosas que dançam e se abrem
quando o mar chama por mim.
A Branca Senhora na sua palidez
de mil primaveras desesperantes
encontrou a juventude na estátua do ardina.
Já não se esconde e senta-se num trono
vindo do País das Sombras.
Já não chora como a rosa
entregue aos moralismos de um senhor cruel.
Já não está maravilhada com a estrela
mas também ainda não tirou o véu da tristeza.
Serei espelho teu,
num lago de aparências com vida própria.
Contarás os cumes das montanhas
que tens para subir com asas
e aí nesses lugares serás Rainha
dessas geladas palavras
que saíram dos teus lábios.
Branca e a rosa são já uma.
São a união para o encontro na noite
com o poeta do deserto de áridas emoções.
Criem então esse império nunca falado.
Todos cá vêem abismos por ausência
de um sentido lunar e terno...
andré louro
in ARQUETIPOS & RETORNOS
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