Eh, como outrora era outra a que eu não tinha!
Como amei quando amei! Ah, como eu via
Como e com olhos de quem nunca lia
Tinha o trono onde ter uma rainha
Sob os pés seus a vida me espezinha.
Reclinando-te tão bem? A tarde esfria…
Ó mar sem cais nem lado nem maresia,
Que tens comigo, cuja alma é a minha?
Sob uma umbela de chá em baixo estamos
E é subita a lembrança
Da velha quinta e do espalmar dos ramos
Sob os quais a merendar - Oh, amor da glória!
Fecharam-me os olhos para toda a história!
Como sapos saltamos e erramos…
fernando pessoa
Tuesday, September 04, 2007
Saturday, August 25, 2007
DEUSA DE OLHOS VOLÚVEIS

DEUSA dos olhos volúveis
pousada na mão das ondas:
em teu colo de penumbras,
abri meus olhos atónitos.
Surgi do meio dos túmulos,
para aprender o meu nome.
Mamei teus peitos de pedra
constelados de prenúncios.
Enredei-me por florestas,
entre cânticos e musgos.
Soltei meus olhos no eléctrico
mar azul, cheio de músicas.
Desci na sombra das ruas,
como pelas tuas veias:
meu passo — a noite nos muros —
casas fechadas — palmeiras —
cheiro de chácaras húmidas —
sono da existência efêmera.
O vento das praias largas
mergulhou no teu perfume
a cinza das minhas máguas.
E tudo caíu de súbito,
junto com o corpo dos náufragos,
para os invisíveis mundos.
Vi tantos rôstos ocultos
de tantas figuras pálidas!
Por longas noites inúmeras,
em minha assombrada cara
houve grandes rios mudos
como os desenhos dos mapas.
Tinhas os pés sobre flôres,
e as mãos prêsas, de tão puras.
Em vão, suspiros e fomes
cruzavam teus olhos múltiplos,
despedaçando-se anônimos,
diante da tua altitude.
Fui mudando minha angústia
numa fôrça heróica de asa.
Para construir cada músculo,
houve universos de lágrimas.
Devo-te o modêlo justo:
sonho, dor, vitória e graça.
No rio dos teus encantos,
banhei minhas amarguras.
Purifiquei meus enganos,
minhas paixões, minhas dúvidas.
Despi-me do meu desânimo —
fui como ninguém foi nunca.
Deusa dos olhos volúveis,
rôsto de espêlho tão frágil,
coração de tempo fundo,
— por dentro das tuas máscaras,
meus olhos, sérios e lúcidos,
viram a beleza amarga.
E êsse foi o meu estudo
para o ofício de ter alma;
para entender os soluços,
depois que a vida se cala.
— Quando o que era muito é único
e, por ser único, é tácito.
cecilia meireles
Tuesday, August 21, 2007
a rosa do levante
As tuas mãos terminam em segredo.
Os teus olhos são negros e macios
Cristo na cruz os teus seios esguios
E o teu perfil princesas no degredo…
Entre buxos e ao pé de bancos frios
Nas entrevistas alamedas, quedo
O vendo põe o seu arrastado medo
Saudoso o longes velas de navios.
Mas quando o mar subir na praia e for
Arrasar os castelos que na areia
As crianças deixaram, meu amor,
Será o haver cais num mar distante…
Pobre do rei pai das princesas feias
No seu castelo à rosa do Levante!
Fernando Pessoa
Os teus olhos são negros e macios
Cristo na cruz os teus seios esguios
E o teu perfil princesas no degredo…
Entre buxos e ao pé de bancos frios
Nas entrevistas alamedas, quedo
O vendo põe o seu arrastado medo
Saudoso o longes velas de navios.
Mas quando o mar subir na praia e for
Arrasar os castelos que na areia
As crianças deixaram, meu amor,
Será o haver cais num mar distante…
Pobre do rei pai das princesas feias
No seu castelo à rosa do Levante!
Fernando Pessoa
Tuesday, August 14, 2007
deixa-te balançar entre a vida e a morte

DEIXA-TE estar embalado no mar noturno
onde se apaga e acende a salvação.
Deixa-te estar na exalação do sonho sem forma:
em redor do horizonte, vigiam meus braços abertos,
e por cima do céu estão pregados meus olhos, guardando-te.
Deixa-te balançar entre a vida e a morte, sem nenhuma saüdade.
Deslisam os planetas, na abundância do tempo que cai.
Nós somos um tênue pólen dos mundos...
Deixa-te estar neste embalo de água geando círculos.
Nem é preciso dormir, para a imaginação desmanchar-se em figuras
ambíguas.
Nem é preciso fazer nada, para se estar na alma de tudo.
Nem é preciso querer mais, que vem de nós um beijo eterno
e afoga a bôca da vontade e os seus pedidos...
(...imagem e poema de cecília meireles
retirado de http://princecristal.blogspot.com/search/label/Cecilia%20Meireles)
O GOSTO DA TERRA...
HUMIDO gôsto de terra,
cheiro de pedra lavada
— tempo inseguro do tempo! —
sombra do flanco da serra,
nua e fria, sem mais nada.
Brilho de areias pisadas,
sabor de folhas mordidas,
— lábio da voz sem ventura! —
suspiro das madrugadas
sem coisas acontecidas.
A noite abria a frescura
dos campos todos molhados,
— sòzinha, com o seu perfume! —
preparando a flor mais pura
com ares de todos os lados.
Bem que a vida estava quieta.
Mas passava o pensamento...
— de onde vinha aquela música?
E era uma nuvem repleta,
entre as estrêlas e o vento.
cecília meireles
cheiro de pedra lavada
— tempo inseguro do tempo! —
sombra do flanco da serra,
nua e fria, sem mais nada.
Brilho de areias pisadas,
sabor de folhas mordidas,
— lábio da voz sem ventura! —
suspiro das madrugadas
sem coisas acontecidas.
A noite abria a frescura
dos campos todos molhados,
— sòzinha, com o seu perfume! —
preparando a flor mais pura
com ares de todos os lados.
Bem que a vida estava quieta.
Mas passava o pensamento...
— de onde vinha aquela música?
E era uma nuvem repleta,
entre as estrêlas e o vento.
cecília meireles
SOSSEGA CORAÇÃO

Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.
Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperença a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!
Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.
Poesia de Fernando Pessoa
Thursday, August 02, 2007
O PODER DO AMOR
"UM CORAÇÃO ARDENTE É O QUE MAIS DESEJO. UM CORAÇÃO CHEIO DE ARDOR. ACENDE NO TEU CORAÇÃO A CHAMA DO AMOR"
RUMI
RUMI
É URGENTE O AMOR

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
EUGENIO DE ANDRADE
Saturday, July 14, 2007
Há doenças piores que as doenças

Há doenças piores que as doenças,
Há dores que não doem, nem na alma
Mas que são dolorosas mais que as outras.
Há angústias sonhadas mais reais
Que as que a vida nos traz, há sensações
Sentidas só com imaginá-las
Que são mais nossas do que a própria vida.
Há tanta cousa que, sem existir,
Existe, existe demoradamente,
E demoradamente é nossa e nós...
Por sobre o verde turvo do amplo rio
Os circunflexos brancos das gaivotas...
Por sobre a alma o adejar inútil
Do que não foi, nem pôde ser, e é tudo.
Dá-me mais vinho, porque a vida é nada.
Fernando Pessoa
Cancioneiro
Dá a surpresa de ser.
É alta, de um louro escuro.
Faz bem só pensar em ver
Seu corpo meio maduro.
Seus seios altos parecem
(Se ela estivesse deitada)
Dois montinhos que amanhecem
Sem ter que haver madrugada.
E a mão do seu braço branco
Assenta em palmo espalhado
Sobre a saliência do flanco
Do seu relêvo tapado.
Apetece como um barco.
Tem qualquer coisa de gomo.
Meu Deus, quando é que eu embarco?
Ó fome, quando é que eu como?
Fernando Pessoa
Wednesday, June 20, 2007
a volúpia da terra mãe

Meu amor, como sofro a volúpia da terra,
atravessada pelas raízes!...
És minha árvore linda,
aos céus abrindo asas de esperança,
na gloriosa ascensão da mocidade.
Ninguém compreenderá a delícia secreta
das nossas núpcias profundas.
Quanto mais avultares,
mais subires,
mais mergulharás em mim.
Aguardei-te longos anos,
com a mesma avidez da gleba
pela semente...
atravessada pelas raízes!...
És minha árvore linda,
aos céus abrindo asas de esperança,
na gloriosa ascensão da mocidade.
Ninguém compreenderá a delícia secreta
das nossas núpcias profundas.
Quanto mais avultares,
mais subires,
mais mergulharás em mim.
Aguardei-te longos anos,
com a mesma avidez da gleba
pela semente...
Tive-te em minhas entranhas,
transfigurei-te:
és folha, és flor, és fruto, és agasalho, és sombra...
transfigurei-te:
és folha, és flor, és fruto, és agasalho, és sombra...
Mas vem do meu querer inviso e obscuro,
quanto prodigalizas ao desejo
dos que te gozam pela rama.
quanto prodigalizas ao desejo
dos que te gozam pela rama.
GILKA MACHADO
POEMAS ERÓTICOS DA VELHA ÍNDIA

1.
Esta mesma lua ilumina a minha amada
O vento acariciou já o seu rosto
A lua impregnou-se da sua beleza
E o vento do seu perfume
Quem ama de verdade pouco lhe basta
Para suportar a separação
Que ela e eu respiremos o mesmo ar
E que os nossos píes pisem o mesmo chão
2.
Suspiro por vê-la quando estamos separados
Anseio por abraçá-la quando a vejo
E quando abraço essa beleza de olhos rasgados
Fundir-me com ela é o meu único desejo
3.
Não pode o lótus florir de noite
Nem a lua brilhar durante o dia
Apenas o teu rosto
Consegue realizar essa magia
TRADUZIDOS DO SANSCRITO...

4.
A lua tenta todos os meses em vão
Captar a beleza do teu rosto
Descontente com o resultado
Destrói tudo e começa de novo
5.
Se a floresta negra dos seus cabelos
Te convida a explorar os vales
E os seios essas abruptas montanhas
Acordam o montanhista que há em ti
O melhor é parares antes que seja tarde
Escondido como se fosse um salteador
A lua tenta todos os meses em vão
Captar a beleza do teu rosto
Descontente com o resultado
Destrói tudo e começa de novo
5.
Se a floresta negra dos seus cabelos
Te convida a explorar os vales
E os seios essas abruptas montanhas
Acordam o montanhista que há em ti
O melhor é parares antes que seja tarde
Escondido como se fosse um salteador
Jaz à espera o amor
POEMAS ANTIGOS DA INDIA

8.
Quando verei de novo firmes as tuas coxas
Que em defesa se cerram uma contra a outra
Para depois se entreabrirem ao desejo obedientes
E aos cair do vestido de súbito revelarem
Como um selo de lacre sobre um segredo obscuro
Húmidas ainda as marcas das minhas unhas
9.
A beleza não está no que dizem as palavras
Mas no que dizem sem dizê-lo
Quando verei de novo firmes as tuas coxas
Que em defesa se cerram uma contra a outra
Para depois se entreabrirem ao desejo obedientes
E aos cair do vestido de súbito revelarem
Como um selo de lacre sobre um segredo obscuro
Húmidas ainda as marcas das minhas unhas
9.
A beleza não está no que dizem as palavras
Mas no que dizem sem dizê-lo
Mais desejáveis são os seios entrevistos
Através das madeixas do teu cabelo
Através das madeixas do teu cabelo
Friday, June 08, 2007
POEMAS DE AMOR DO ANTIGO EGIPTO

São tão pequenas as flores de Seanu
Que quem as olha se sente um gigante.
Sou a primeira entre os teus amores,
Como jardim há pouco regado de ervas e perfumadas flores.
Ameno é o canal que tu cavaste
Pela frescura do vento norte.
Tranquilos os nossos caminhos
Quando a tua mão descansa na minha em alegria.
A tua voz dá vida, como o néctar.
Ver-te é mais do que alimento e bebida.
Se fores à casa coberta de hera
Antes dos outros convidados chegarem,
Põe-te à vontade
Na sala dos banquetes.
As flores mexem-se com a brisa,
A qual, se não estiver toda envolta em perfume,
Há-de conseguir levar até ti
Pelo menos a excelência de alguma da sua fragância.
O perfume alastra,
A embriaguês começa.
Aquela rapariga ali, a que se parece com Noubt:
Se tiveres a sorte de a receber como presente,
Meu amigo, deves estar preparado para oferecer em sacrifício a tua vida
Pois é a única coisa que podes dar em troca.
A mansão do meu amor tem portas duplas,
Abertas de par em par.
Agora que se dana zangada
Eu queria ser o seu guarda
E receber as chicotadas da sua língua.
Assim poderia ouvi-la quando está zangada,
Como o ouriço novo a chiar de terror.
DA CONTRADIÇÃO
Ai de mim por teus olhos vagos.
Digo ao meu coração :"O meu amo Partiu.
Durante A noite partiu E deixou-me.
Sinto-me um túmulo."
E a mim própria pergunto:
Não fica nenhuma sensação, quando
Vens até mim?
Mesmo nenhuma?
Ai de mim por esses olhos que te afastaram do caminho,
Sempre tão vagos.
E apesar disso confesso com sinceridade
Que andem eles por onde andarem
Se vierem ter comigo
Eu reentro na vida.
A casa da minha namorada é uma barafunda
É o único modo de descrevê-la.
Toda a noite com música e dança até fartar
Cerveja e vinho sempre a correr.
Noto como as melodias se entrelaçam,
E por fim, depois do meu amor insistir
Num pedido para uma colaboração mais activa,
Concluo que a noite valeu a pena, apesar de tudo.
E amanhã?
A velha canção do costume.
POEMAS DE AMOR DO ANTIGO EGIPTO
Friday, June 01, 2007
XVIII

Bailarina: ó transposição
em marcha de todo o transitório: como tu a ofertavas!
E o turbilhão no fim, esta árvore de movimento,
não tomava ele posse plena do ano conquistado?
Não floria, para que o teu vibrar de há pouco como enxame o envolvesse,
de repente o seu cume de silêncio?
E sobre ele, não era sol, não era verão,
o calor, este calor inúmero que de ti saia?
Mas também dava fruto, sim, a árvore do êxtase.
Não são seus frutos tranquilos: o jarro,
listrado de maturidade, e o vaso ainda mais maduro?
E nos retratos: não ficou o
desenho que o traço escuro das tuas sobrancelhas
inscreveu na parede do próprio girar?
Raine Maria Rilke as elegias a duino e sonetos a orfeu
vem...
Vem.
Conversemos através da alma.
Revelemos o que é secreto aos olhos e ouvidos.
Sem exibir os dentes, sorri comigo, como um botão de rosa.
Entendamo-nos pelos pensamentos, sem língua, sem lábios.
Sem abrir a boca, contemo-nos todos os segredos do mundo,
como faria o intelecto divino.
Fujamos dos incrédulos que só são capazes de entender
se escutam palavras e vêem rostos.
Ninguém fala para si mesmo em voz alta.
Já que todos somos um, falemos desse outro modo.
Como podes dizer à tua mão : "toca", se todas as mãos são uma?
Vem, conversemos assim.
Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma.
Fecho pois a boca e conversemos através da alma.
Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.
Vem, se te interessas, posso mostrar-te.
Jalaluddin RUMI (sec.XII)
Conversemos através da alma.
Revelemos o que é secreto aos olhos e ouvidos.
Sem exibir os dentes, sorri comigo, como um botão de rosa.
Entendamo-nos pelos pensamentos, sem língua, sem lábios.
Sem abrir a boca, contemo-nos todos os segredos do mundo,
como faria o intelecto divino.
Fujamos dos incrédulos que só são capazes de entender
se escutam palavras e vêem rostos.
Ninguém fala para si mesmo em voz alta.
Já que todos somos um, falemos desse outro modo.
Como podes dizer à tua mão : "toca", se todas as mãos são uma?
Vem, conversemos assim.
Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma.
Fecho pois a boca e conversemos através da alma.
Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.
Vem, se te interessas, posso mostrar-te.
Jalaluddin RUMI (sec.XII)
Saturday, May 19, 2007
ROSAS

Não quero rosas, desde que haja rosas.
Quero-as só quando não as possa haver.
Que hei-de fazer das coisas
Que qualquer mão pode colher?
Não quero a noite senão quando a aurora
A fez em ouro e azul se diluir.
O que a minha alma ignora
É isso que quero possuir. Para quê?...
Se o soubesse, não faria Versos para dizer que inda o não sei.
Tenho a alma pobre e fria...
Ah, com que esmola a aquecerei?...
Fernando Pessoa, 7-1-1935.
BEBIDO O LUAR
Bebido o luar, ébrios de horizontes,
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.
Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.
Por que jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Por que o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDERSEN
Bebido o luar, ébrios de horizontes,
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.
Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.
Por que jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Por que o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDERSEN
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