O que é isto que aperta o meu peito?
É minha alma que quer sair para o infinito…
Ou a alma do mundo que quer entrar no meu coração?
Tagore
Friday, September 05, 2008
que te diria o meu coração

canto
Já te disse muita coisa,
Mas ainda queria esclarecer
Uma coisa que ficou por dizer…
Sejas tu quem for ou a minha alma seja,
Nada mais há entre nós do que um Portal,
Um secreto e misterioso Umbral
Que se cruza na nossa memória…
Abre-se por magia ou milagre…
Ou quando os guias que o guardam querem
E nada tem a ver com este corpo e a matéria…
Abre-se por emergência de respirar a tua beleza
E de uma brisa fresca que me salva de enlouquecer…
Não tenhas medo que confunda a aragem
Com o desejo insano do ser humano
Nem a tua presença para mim etérea
Com o teu sexo de mulher…
Para mim és cor, vento, brisa e canto…
Nada que eu possa nesta vida possuir
Ou querer para a vida inteira.
««««
dizer
Que te diria o meu coração
se eu pudesse…
Se tu viesses como uma estrela cadente…
E tudo o que nos separa nela se dissolvesse
E nada mais restasse
Senão a nudez da tua alma diante da minha?
Que farias tu com o meu coração
Se ele se te confessasses só teu?
Se ele te dissesse que te ama mais,
Muito mais do que eu...
Do que a vida e a eternidade?
Que por ti daria tudo,
Que por ti morreria de amor e saudade…
Que farias tu com o meu coração
Se eu não soubesse…
Que todo este anseio é mera ilusão e quimera…
Que ninguém pode dar ou receber um coração
Que é só seu…
E pertence ao Criador mais do que à criatura?
2008 - rlp
Já te disse muita coisa,
Mas ainda queria esclarecer
Uma coisa que ficou por dizer…
Sejas tu quem for ou a minha alma seja,
Nada mais há entre nós do que um Portal,
Um secreto e misterioso Umbral
Que se cruza na nossa memória…
Abre-se por magia ou milagre…
Ou quando os guias que o guardam querem
E nada tem a ver com este corpo e a matéria…
Abre-se por emergência de respirar a tua beleza
E de uma brisa fresca que me salva de enlouquecer…
Não tenhas medo que confunda a aragem
Com o desejo insano do ser humano
Nem a tua presença para mim etérea
Com o teu sexo de mulher…
Para mim és cor, vento, brisa e canto…
Nada que eu possa nesta vida possuir
Ou querer para a vida inteira.
««««
dizer
Que te diria o meu coração
se eu pudesse…
Se tu viesses como uma estrela cadente…
E tudo o que nos separa nela se dissolvesse
E nada mais restasse
Senão a nudez da tua alma diante da minha?
Que farias tu com o meu coração
Se ele se te confessasses só teu?
Se ele te dissesse que te ama mais,
Muito mais do que eu...
Do que a vida e a eternidade?
Que por ti daria tudo,
Que por ti morreria de amor e saudade…
Que farias tu com o meu coração
Se eu não soubesse…
Que todo este anseio é mera ilusão e quimera…
Que ninguém pode dar ou receber um coração
Que é só seu…
E pertence ao Criador mais do que à criatura?
2008 - rlp
Tuesday, September 02, 2008
a incógnita do instante
Só no ato do amor – pela límpida abstração de estrela do que se sente – capta-se a incógnita do instante que é duramente cristalina e vibrante no ar e a vida é esse instante incontável, maior que o acontecimento em si.
No amor o instante de impessoal jóia refulge no ar, glória estranha de corpo, matéria sensibilizada pelo arrepio de instantes.
Clarice lispector
No amor o instante de impessoal jóia refulge no ar, glória estranha de corpo, matéria sensibilizada pelo arrepio de instantes.
Clarice lispector
En La Mar

En la mar
Oh! sim amo-te…
Mas não vou fazer nada,
Vou ficar quieta no meu canto.
Vou guardar bem fundo
E no mais secreto de mim
Tudo o que sinto por ti, por enquanto…
Não, não vou dizer-te nada
Confrontar-te ou seduzir-te,
Como qualquer vulgar amante!
Vou esperar que a minha alma
Por si só arda em mil fogos…
E que as suas chamas
Sejam mais fortes
Do que qualquer palavra,
Gesto, olhar ou encanto…
Quando sentires essas chamas
A queimar-te o peito…
E já não suportares o fogo que te consome
Virás a mim como quem busca en la mar
E nela mergulharás sem que nada nos separe…
Nem na vida nem na morte.
rlp
os sonhos
Se te possuir em sonhos és minha, pois não há prazer que não seja representado.
J. Donne
Só em sonhos te posso possuir…pois não há prazer na vida tão intenso e sublime como aquele que em sonhos te posso dar…
J. Donne
Só em sonhos te posso possuir…pois não há prazer na vida tão intenso e sublime como aquele que em sonhos te posso dar…
rlp
Sunday, August 31, 2008
a chave dos mistérios

MEDITAÇÃO
Por um brevíssimo lapso de tempo,
A visão súbita da Deusa na mulher…
Ela revela-se a ti através da beleza etérea
Que subjaz à imanência do seu corpo
Em harmonia com o momento
Na luz que rasga a densidade da matéria …
E dessa fracção ínfima de tempo
Toda a transparência
Toda a interioridade de um ser,
Na sua essência mais pura,
Nos fulmina com a sua Divina Presença.
Por segundos,
É com se ela dançasse nua à minha frente
No simples deslizar no espaço e tudo pára…
Olho-a nos olhos tudo se turva
E a minha alma voa ao encontro da sua
Enquanto ela se desloca como um raio
Para o centro do meu coração.
Senti-me como o dervixe que rodopia freneticamente
Sobre si mesmo até à consumação do êxtase…
VISÃO
A tua visão súbita
Transmuta e consubstancializa
Todo o meu ser
Todas as minhas células se unificam…
Todas as minhas penas se volatilizam
Ao beber do teu cálice o êxtase divino
Do teu corpo sagrado de mulher
Só pela visão do teu ser
A minha alma é iluminada
E todo o meu ser alçado
Ao samadi de sadus e ascetas
Ao céu inatingível dos místicos…
Ao paraíso perdido de Eva…
Tu és a minha respiração,
O meu néctar e o meu mantra,
Tu és o meu nirvana…
A chave de todos mistérios…
30 de Agosto
r.leonor
Por um brevíssimo lapso de tempo,
A visão súbita da Deusa na mulher…
Ela revela-se a ti através da beleza etérea
Que subjaz à imanência do seu corpo
Em harmonia com o momento
Na luz que rasga a densidade da matéria …
E dessa fracção ínfima de tempo
Toda a transparência
Toda a interioridade de um ser,
Na sua essência mais pura,
Nos fulmina com a sua Divina Presença.
Por segundos,
É com se ela dançasse nua à minha frente
No simples deslizar no espaço e tudo pára…
Olho-a nos olhos tudo se turva
E a minha alma voa ao encontro da sua
Enquanto ela se desloca como um raio
Para o centro do meu coração.
Senti-me como o dervixe que rodopia freneticamente
Sobre si mesmo até à consumação do êxtase…
VISÃO
A tua visão súbita
Transmuta e consubstancializa
Todo o meu ser
Todas as minhas células se unificam…
Todas as minhas penas se volatilizam
Ao beber do teu cálice o êxtase divino
Do teu corpo sagrado de mulher
Só pela visão do teu ser
A minha alma é iluminada
E todo o meu ser alçado
Ao samadi de sadus e ascetas
Ao céu inatingível dos místicos…
Ao paraíso perdido de Eva…
Tu és a minha respiração,
O meu néctar e o meu mantra,
Tu és o meu nirvana…
A chave de todos mistérios…
30 de Agosto
r.leonor
Saturday, August 02, 2008
sentir é outra questão

Não tenho ninguém que me ame.
’Spera lá, tenho; mas é
Difícil ter-se a certeza
Daquilo em que não se crê.
Não é não crer por descrença,
Porque sei: gostam de mim.
É um não crer por feitio
E teimar em ser assim.
Não tenho ninguém que me ame.
Para este poema existir
Tenho por força que ter
Esta mágoa que sentir.
Que pena não ser amado!
Meu perdido coração!
Etcetera, e está acabado
O meu poema pensado.
Sentir é outra questão…
Fernando Pessoa
palavras
DE QUE FALAMOS?
De que falamos
quando falamos das palavras
senão do tempo
que corre-escorre
por entre as malhas da voz?
Faladas
as palavras
são um combate encenado
uma insónia pessoal
Escritas
são reféns do olhar
No espaço da página
deslizam altivas como icebergues
ou então soçobram
desconhecidamente
no lado sombrio do funesto olvido
ANA HATHERLY
in O PAVÃO NEGRO
De que falamos
quando falamos das palavras
senão do tempo
que corre-escorre
por entre as malhas da voz?
Faladas
as palavras
são um combate encenado
uma insónia pessoal
Escritas
são reféns do olhar
No espaço da página
deslizam altivas como icebergues
ou então soçobram
desconhecidamente
no lado sombrio do funesto olvido
ANA HATHERLY
in O PAVÃO NEGRO
Tuesday, July 15, 2008
UNIDO COM ELA

A tua boca na boca dela – as tuas mãos
Nos seus seios cheios, maduros e redondos
Os braços dela à volta da tua cintura: as coxas levantadas,
E até a tua língua, como sonhaste dentro dela:
Mas não a podes ter.
Não podes tocar o que a ela pertence.
Essa boca forte é sua, ela é outra,
Porque o profundo ritmo da água é dela
Onde caminha a seu modo, como deve, sozinha
E tu? Tens de ser como ela
E encontrar todo o teu desejo em ti próprio
Para agora e para sempre.
Seres teu próprio rei.
In I CHING
O LIVRO DAS MUTAÇÕES

..." Depois disto vem a meditação sobre as árvores das jóias do país de Amitâbha, à qual se segue a meditação sobre a água"
quanto doi o meu coração...
Ah, só eu sei
Quanto dói meu coração
Sem fé nem lei,
sem melodia nem razão.
Só eu, só eu,
E não o posso dizer
Porque sentir é como o céu,
Vê-se mas não há nele nada que ver.
Fernando Pessoa
Quanto dói meu coração
Sem fé nem lei,
sem melodia nem razão.
Só eu, só eu,
E não o posso dizer
Porque sentir é como o céu,
Vê-se mas não há nele nada que ver.
Fernando Pessoa
TIMIDEZ
Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...
— mas só esse eu não farei.
Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...
— palavra que não direi.
Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,
— que amargamente inventei.
E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...
— e um dia me acabarei.
CECÍLIA MEIRELES (1901-1964)
Wednesday, April 23, 2008
Sou-me
"Ouve-me, ouve o meu silêncio. O que falo nunca e sim outra coisa. Quando digo "águas abundantes" estou falando da força do corpo nas águas do mundo. Capta essa outra coisa de que na verdade falo porque eu mesma não posso. Lê a energia que está no meu silêncio. Ah tenho medo do Deus e do silêncio."
(...)
"Estou lidando com a matéria-prima. Estou atrás do que fica atrás do pensamento. Género não me pega mais."
CLARISSE LISPECTOR
INICIAÇÃO
INICIAÇÃO
"Não dormes sob os Ciprestes,
pois não há sono no mundo.
O corpo é a sombra das vestes,
que encobrem teu ser profundo.
Vem a noite, que é a morte,
e a sombra acabou sem ser.
Vais na noite, só recorte,
igual a ti sem querer.
Mas na estalagem do Assombro,
tiram-te os Anjos a capa:
segues sem capa no ombro,
com o pouco que te tapa.
Então Arcanjos da Estrada
despem-te e deixam-te nú.
Não tens vestes, não tens nada:
tens só teu corpo, que és tu.
Por fim, na funda caverna,
os Deuses despem-te mais,
teu corpo cessa, alma externa,
mas vês que são teus iguais.
A sombra de tuas vestes
ficou entre nós na Sorte
não estás morto entre ciprestes
neófito, não há morte."
Fernando Pessoa - 30/03/1933
"Não dormes sob os Ciprestes,
pois não há sono no mundo.
O corpo é a sombra das vestes,
que encobrem teu ser profundo.
Vem a noite, que é a morte,
e a sombra acabou sem ser.
Vais na noite, só recorte,
igual a ti sem querer.
Mas na estalagem do Assombro,
tiram-te os Anjos a capa:
segues sem capa no ombro,
com o pouco que te tapa.
Então Arcanjos da Estrada
despem-te e deixam-te nú.
Não tens vestes, não tens nada:
tens só teu corpo, que és tu.
Por fim, na funda caverna,
os Deuses despem-te mais,
teu corpo cessa, alma externa,
mas vês que são teus iguais.
A sombra de tuas vestes
ficou entre nós na Sorte
não estás morto entre ciprestes
neófito, não há morte."
Fernando Pessoa - 30/03/1933
Tuesday, February 26, 2008
em qualquer lingua

Por que me falas nesse idioma?
perguntei-lhe, sonhando.
Em qualquer língua se entende essa palavra.
Sem qualquer língua.
O sangue sabe-o.
Uma inteligência esparsa aprende
esse convite inadiável.
Búzios somos, moendo a vida
inteira essa música incessante.
Morte, morte.
Levamos toda a vida morrendo em surdina.
No trabalho, no amor, acordados, em sonho.
A vida é a vigilância da morte,
até que o seu fogo veemente nos consuma
sem a consumir.
Cecília Meireles
perguntei-lhe, sonhando.
Em qualquer língua se entende essa palavra.
Sem qualquer língua.
O sangue sabe-o.
Uma inteligência esparsa aprende
esse convite inadiável.
Búzios somos, moendo a vida
inteira essa música incessante.
Morte, morte.
Levamos toda a vida morrendo em surdina.
No trabalho, no amor, acordados, em sonho.
A vida é a vigilância da morte,
até que o seu fogo veemente nos consuma
sem a consumir.
Cecília Meireles
poco tiempo
RECHAZANDI UNA INVITACION A IR AL CINE
O PARTICIPAR EN CUALQUIER OTRA ACTIVIDAD MUNDANA
Tengo tan poco tiempo y tanto amor,
tanta necesidad amontonada,
tan pocos ojos para tanta flor,
tanto preparativo para nada.
Días inútiles me han puesto avara
del privilegio de tu companía
y cuando alguún motivo nos separa
es como darle cuerda a la agonía.
? Para qué vamos a desperdiciar
entre la oscuridad, entre la gente,
tantas intimidades sin usar
como tenemos, tanta lur urgente?
La vida rigorea y multiplica
recíproca abundancia en tiempo escaso.
No te imaginas lo que significa
estar enamorada con atraso.
Somos gremio de zombis que no sabe
estar sino en rebaño distraído.
Si uno en su duración apenas cabe,
por qué precipitarse en el olvido.
Todo enajenamiento es agresión,
y en defensa legítima te mando
a diferir esta disipación
para mañana, para no sé cuándo.
Maria Elena Walsh
María Elena Walsh (born on February 1, 1930 in Ramos Mejía, Buenos Aires) is an Argentine musician and writer known for her songs and books for children.
O PARTICIPAR EN CUALQUIER OTRA ACTIVIDAD MUNDANA
Tengo tan poco tiempo y tanto amor,
tanta necesidad amontonada,
tan pocos ojos para tanta flor,
tanto preparativo para nada.
Días inútiles me han puesto avara
del privilegio de tu companía
y cuando alguún motivo nos separa
es como darle cuerda a la agonía.
? Para qué vamos a desperdiciar
entre la oscuridad, entre la gente,
tantas intimidades sin usar
como tenemos, tanta lur urgente?
La vida rigorea y multiplica
recíproca abundancia en tiempo escaso.
No te imaginas lo que significa
estar enamorada con atraso.
Somos gremio de zombis que no sabe
estar sino en rebaño distraído.
Si uno en su duración apenas cabe,
por qué precipitarse en el olvido.
Todo enajenamiento es agresión,
y en defensa legítima te mando
a diferir esta disipación
para mañana, para no sé cuándo.
Maria Elena Walsh
María Elena Walsh (born on February 1, 1930 in Ramos Mejía, Buenos Aires) is an Argentine musician and writer known for her songs and books for children.
Wednesday, January 23, 2008
desejo-me a mim mesma...

ALQUIMIA
Desejo-me a mim mesma
no corpo etéreo de uma mulher sublime,
como preciso do ar que respiro.
Desejo ver-me e sentir-me inteira
no meu corpo completo
como se reinventasse outro ser...
E como se os meus sentidos fossem mágicos
desdobrar-me...
e do ar, do éter ou do prana,
Desejo-me a mim mesma
no corpo etéreo de uma mulher sublime,
como preciso do ar que respiro.
Desejo ver-me e sentir-me inteira
no meu corpo completo
como se reinventasse outro ser...
E como se os meus sentidos fossem mágicos
desdobrar-me...
e do ar, do éter ou do prana,
pela força do meu anseio
aparecesse um novo ser que me amasse
aparecesse um novo ser que me amasse
até à consumação.
Queria que por magia,
eu própria me transformasse em substância etérea
e libertasse a minha alma da escravidão
desde corpo denso de pele e desejo...
Queria ser águia e vencer o dragão
Queria que por magia,
eu própria me transformasse em substância etérea
e libertasse a minha alma da escravidão
desde corpo denso de pele e desejo...
Queria ser águia e vencer o dragão
in Mulher Incesto - Sonata e Perlúdio
Rosa Leonor Pedro
Monday, December 31, 2007
MULHER SOL
Ela é o fogo no meu coração,
e ela é a néctar (o mel e fel) na minha língua.
Ela é a Palavra, o dizer que vibra em mim...
Ela é a Luz, Durga e Kali.
Força indómita, semente do diabo,
vertigem de sedução e morte:
uma vontade louca de lhe beijar o pescoço
uma lava incandescente, eu, uma loucura de ternura e sede,
uma premência de sentir o seu corpo gemer
ou os ossos ranger.
A violência primordial, a fome da boca, morder.
Devorá-la inteira ou comê-la como a serpente e
de duas só uma ser...
Ah! salamandras, mantras, artifícios e manhas:
Lamber-lhe o lóbulo da orelha esquerda
recitando OM AH HUM,
No seu coração meditar eternamente,
no seu corpo mandala renascer,
Kimari, Durga e Kali.
IN MULHER INCESTO ROSA LEONOR PEDRO
Saturday, November 24, 2007
a minha canção

Minha canção te envolverá com sua música, como os abraços sublimes do amor.
Tocará o teu rosto como um beijo de graças.
Quando estiveres só, se sentará a teu lado e te falará ao ouvido.
Minha canção será como asas para os teus sonhos e elevará teu coração até o infinito.
Quando a noite escurecer o teu caminho, minha canção brilhará sobre ti como a estrela fiel.
Se fixará nos teus lindos olhos e guiará teu olhar até a alma das coisas.
Quando minha voz se calar para sempre, minha canção te seguirá em teus pensamentos.
R. Tagore
Sunday, November 18, 2007
as mutações...

"... Elegante curva-se o botão, e é perfumado, eu sei. Mas não aprovo, e não me conformo: a luz dos teus olhos era mais preciosa do que todas as rosas deste mundo..."
(Edna St. Vicent Millay)
UNIDO COM ELA
A tua boca na boca dela – as tuas mãos
Nos seus seios cheios, maduros e redondos
Os braços dela à volta da tua cintura: as coxas levantadas,
E até a tua língua, como sonhaste dentro dela:
Mas não a podes ter.
Não podes tocar o que a ela pertence.
Essa boca forte é sua, ela é outra,
Porque o profundo ritmo da água é dela
Onde caminha a seu modo, como deve, sozinha
E tu? Tens de ser como ela
E encontrar todo o teu desejo em ti próprio
Para agora e para sempre. Seres teu próprio rei.
In I CHING O LIVRO DAS MUTAÇÕES ...
««««««««««««
" Depois disto vem a meditação sobre as árvores das jóias do país de Amitâbha, à qual se segue a meditação sobre a água"
Saturday, September 15, 2007
OH MADRE

Oh Madre
matriz das criaturas inferiores que rastejam
a teus pés cobertas de pó
esse pó que a cada momento ameaça submergir-nos
Oh aranha enorme tecendo tua teia de pó
Oh que desintegras tudo e tudo tu constróis
Ah como nós lambemos tuas duras mãos
Oh que fustigas nossos olhos com tua sombra....
ANA HATHERLY
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