A brisa da manhã trouxe-nos uma mensagem: Viste tu no caminho um coração pleno de fogo, Viste tu este coração abraçado e cheio de paixão Que incendeia cem rochedos de sua chama?
ninguna mujer es mejor que el mar y aun así todos los peces caben en su vientre toda la historia se resume en su caverna todos nuestros delirios se aplacan en sus senos
ninguna mujer es mejor que el mar y en todas las ensenadas interiores está escrito su nombre en todas las galerías del recuerdo hay una flor de fuego entre la niebla unos besos que se irán a la tumba con nosotros
ninguna mujer es mejor que el mar y el furor de su oleaje nos lleva a la cima o nos hunde en el silencio de la muerte
ninguna mujer es mejor que el mar y aun así mi faro no deja de buscarla entre el nutricio mar de los sargazos
Nada a fazer amor, eu sou do bando Impermanente das aves friorentas; E nos galhos dos anos desbotando Já as folhas me ofuscam macilentas;
E vou com as andorinhas. Até quando? À vida breve não perguntes: cruentas Rugas me humilham. Não mais em estilo brando Ave estroina serei em mãos sedentas.
Pensa-me eterna que o eterno gera Quem na amada o conjura. Além, mais alto, Em ileso beiral, aí espera:
Andorinha indemne ao sobressalto Do tempo, núncia de perene primavera. Confia. Eu sou romântica. Não falto.
Esperava ver-te e cobrir o teu corpo nu com um véu de seda da Índia… Do tamanho do céu o véu em espirais de infinito …
Deusas
Que memórias as vezes me acordam, De onde vêm? luzentes e fulgurantes, como raios, mais parecem fadas luxuriantes, pontos distantes de luz, que me ofuscam a mente. Que visão instantânea de um mundo oculto por pensamentos obscuros, estranhos, permanentes!
Abre-se por momentos, a visão de outro ser que já fui autrora. .. Recordações , memórias de auroras luminosas, seres radiantes, etéreos, brilhantes, cheios de ternura deslumbrante que nunca aqui vi... Deusas, Sim! A anunciar reinos distantes perdidos de nós, Robôs do século X XI.
Ó Deusa Branca,
Senhora das fontes e dos lagos, esquecida nas brumas do tempo, chamo-te do mais recôndito do meu ser, em cada célula um apelo, no meu corpo, em cada átomo. Não sei porque te envolve esse véu diáfano, que te esconde na penumbra dos meus sonhos, onde às vezes por piedade me sorris ou me tocas com teu manto que te esconde de mim . Outras vezes, afagas-me o rosto com uma pena das tuas asas e foges para longe. Queria amar-te mais se eu pudesse e trazer-te para bem perto ... Pedir-te Senhora, nunca me esqueças... Tu és a razão única da minha vida, tu és a minha essência e cada nervo. A carne, o sangue e o tecido, cada fibra do meu ser te pertence!
Alguém bateu à porta da Bem-Amada, e uma Voz lá de dentro perguntou: - Quem está aí? E ele respondeu - Sou eu. A Voz então disse: - Esta casa não conterá nós dois. E a porta continuou fechada. Então o Amante foi para o deserto e na solidão jejuou e orou. Retornou depois de um ano e bateu novamente à porta. E de novo a Voz perguntou: - Quem é? E o Amante respondeu: - És tu mesma! E a porta lhe foi aberta. RUMI
Muito para lá de Deus há um país Onde o luar é duma outra cor. Adivinham-se as rosas, não dão flor. E as árvores estão poisadas, sem raiz.
Ei-lo, passa ao Sol-posto na alameda Evoca e fica quedo erguendo os braços. Prende nos dedos longos dedos lassos, Os dedos do Mais Longe que se enreda.
Salas nos modos. O Passado extenso. N alma há um jardim quase suspenso Onde não desde Sombra. Ânsia absorta.
Portas nas atitudes que adormece. Uma das portas não abriu. Esquece. Meu Deus, o que estará para além da porta?
(in «Mais Alto»)
UM POEMA DE "ELOGIO DA DESCONHECIDA"
Ela. Seus braços vencidos, Naus em procura do mar, Caminhos brancos, compridos, Que conduzem ao luar.
Se ao meu pescoço os enrola Eu julgo, com alegria, Que trago ao pescoço o dia Como se fosse uma gola.
O Luar, lâmpada acesa Pra alumiar à princesa Que em meus olhos causa alarde.
E o dia, longe, esquecido, É um lençol estendido Numa janela da Tarde.
(in «Ânfora») Alfredo Guisado (1891-1975)
Saturday, May 06, 2006
"No alto do ramo mais alto, uma tão rosa maçã. Mulher. Esqueceram-na os apanhadores de frutas? Não. Mãos não tiveram para a colher..."
(Safo)
CLXIII
És infeliz? Se deixares de pensar na tua dor não sofrerás mais. Se a tua mágoa é imensa, invoca os seres que tão injustamente sofreram durante a criação do mundo.
Escolhe uma mulher de seios alvos e trata de a amar. E que ela, por sua vez, seja incapaz de te amar.
CLXIV
Infeliz, nunca saberás nada! Jamais serás capaz de resolver um único dos mistérios que te rodeiam. Uma vez que as religiôes te prometem o Paraíso, tenta tu criar um nesta terra, porque o outro talvez não exista.
in RUBAIYAT
Tuesday, May 02, 2006
— Tu que irradiar pudeste os mais formosos poemas! — Tu que orquestrar soubeste as carícias supremas! Dás corpo ao beijo, dás antera à boca, és um tateio de alucinação, és o elástico da alma... Ó minha louca língua, do meu Amor penetra a boca, passa-lhe em todo senso tua mão, enche-o de mim, deixa-me oca... — Tenho certeza, minha louca, de lhe dar a morder em ti meu coração!...
Lépida e leve em teu labor que, de expressões à míngua, O verso não descreve... Lépida e leve, guardas, ó língua, em seu labor, gostos de afagos de sabor.
És tão mansa e macia, que teu nome a ti mesmo acaricia, que teu nome por ti roça, flexuosamente, como rítmica serpente, e se faz menos rudo, o vocábulo, ao teu contacto de veludo.
Dominadora do desejo humano, estatuária da palavra, ódio, paixão, mentira, desengano, por ti que incêndio no Universo lavra!... És o réptil que voa, o divino pecado que as asas musicais, às vezes, solta, à toa, e que a Terra povoa e despovoa, quando é de seu agrado.
Sol dos ouvidos, sabiá do tato, ó língua-idéia, ó língua-sensação, em que olvido insensato, em que tolo recato, te hão deixado o louvor, a exaltação!
— Tu que irradiar pudeste os mais formosos poemas! — Tu que orquestrar soubeste as carícias supremas! Dás corpo ao beijo, dás antera à boca, és um tateio de alucinação, és o elástico da alma... Ó minha louca língua, do meu Amor penetra a boca, passa-lhe em todo senso tua mão, enche-o de mim, deixa-me oca... — Tenho certeza, minha louca, de lhe dar a morder em ti meu coração!...
Língua do meu Amor velosa e doce, que me convences de que sou frase, que me contornas, que me veste quase, como se o corpo meu de ti vindo me fosse. Língua que me cativas, que me enleias os surtos de ave estranha, em linhas longas de invisíveis teias, de que és, há tanto, habilidosa aranha...
Língua-lâmina, língua-labareda, língua-linfa, coleando, em deslizes de seda... Força inféria e divina faz com que o bem e o mal resumas, língua-cáustica, língua-cocaína, língua de mel, língua de plumas?...
Amo-te as sugestões gloriosas e funestas,
te amam, ó língua-lama, ó língua-resplendor, pela carne de som que à ideia emprestas e pelas frases mudas que proferes nos silêncios de Amor!...