Saturday, May 19, 2007

ROSAS



Não quero rosas, desde que haja rosas.

Quero-as só quando não as possa haver.

Que hei-de fazer das coisas

Que qualquer mão pode colher?

Não quero a noite senão quando a aurora

A fez em ouro e azul se diluir.
O que a minha alma ignora

É isso que quero possuir. Para quê?...

Se o soubesse, não faria Versos para dizer que inda o não sei.

Tenho a alma pobre e fria...

Ah, com que esmola a aquecerei?...

Fernando Pessoa, 7-1-1935.

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