Thursday, May 19, 2005

minha raiva de ternura

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda


Maria Tereza Horta



Meu ser vive na Noite e no Desejo.
Minha alma é uma lembrança que há em mim


FERNANDO PESSOA

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